a.s
quarta-feira, 5 de maio de 2010
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Uma Noite Que Dura Meses
Só agora senti que você não mais me pertencia. O por que não sei dizer, talvez seja porque a solidão só apareça depois de uns meses. Talvez porque eu preenchesse o vazio que você deixou aqui com doses de qualquer whisky barato e copos de cerveja sempre cheios. Parece que copos cheios simbolizam companhia, copos vazios simbolizam a solidão. Mas não sei mais pra onde ir, não sei mais aonde pertenço. A alegria dos bares não me invade como deveria, e a festança de uma noite animada já chegou ao fim. Uma noite longa pra uma vida curta, como já diria Hebert Vianna. Mas já não importa. O por que continua incerto, mas talvez seja porque quero que esse copo desgastado seja substituído pelas velhas lembranças, pela tua atual presença, ou por qualquer motivo, ser ou átomo que me afague e me afaste desse estado de penar.
artur schütte
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Culpa
Eu era o culpado, esse crime era meu.
Então lá veio aquele olhar, o mais amedrontador do mundo, o mais temeroso. Veio rápido como o vento, chegou de surpresa. Era aquela mesma menininha que eu havia cansado de não parar de olhar. Pensando bem, não estava tão cansado assim. Mas aquele ódio não parecia uma coisa boa. Talvez fosse o fim, talvez já fosse hora. Mais uma, talvez? Não conseguia raciocinar direito agora. Com o maior peso do mundo ela disse "Você roubou o amor que havia de sobra aqui dentro." "Problema", pensei. Ela continuou "Você não devia ter feito isso! Agora todo meu amor é seu".
Eu era o culpado, esse crime era meu.
artur schütte
quarta-feira, 24 de março de 2010
Gosto Inerente por Passado
Foi um susto mútuo ao se encontrarem. Havia passado mais ou menos muito tempo desde o último encontro. Um desparo insantâneo de coração foi friamente calculado em dois corpos diferentes. Foi então que encontraram-se os olhares. O fluxo flutuante entre eles foi invisível e irresistível. Cheiros e sensações misturadas viajaram pelo ar, ziguezagueando pela úmida brisa do verão. O elo paradoxal entre eles consistia na fala e nos atos. Atos de entrega silenciosa inspiravam os poemas românticos, a fala inspirava as tragédias e conspirava os pesadelos. A frieza na fala revela nada mais do que as cicatrizes talvez abertas que permaneçam em ambos. Mas cada um não consegue sentir ou ver feridas senão suas próprias. You can't feel it anymore.
"Faz tempo que não te vejo." - começou ele.
"Né."
"E como estão as coisas?"
"Tudo normal. Você?"
"Normal."
Silêncio. Faltou o que dizer. O silêncio em si é muito mais coerente do que sua descrição. Dificilmente se fala do silêncio. Ok, fale das árvores, do vento, dos pássaros, da estranha velhinha que passou pela calçada. Mas não tente descrever o silêncio.
"Era mais fácil conversar antes..."
"É mesmo, apesar de tantos problemas"
"Que problemas" Ele se ofendeu. "Havia problemas?"
"Não, não...! Digo, algumas contradições, você nem deve ter percebido."
"É... talvez. Mas então foi culpa minha?"
"Não sei. Talvez, um mistério. Meio contraditório não é?"
"É... mas eu sei que você gosta de velhas contradições."
"Faz tempo que não te vejo." - começou ele.
"Né."
"E como estão as coisas?"
"Tudo normal. Você?"
"Normal."
Silêncio. Faltou o que dizer. O silêncio em si é muito mais coerente do que sua descrição. Dificilmente se fala do silêncio. Ok, fale das árvores, do vento, dos pássaros, da estranha velhinha que passou pela calçada. Mas não tente descrever o silêncio.
"Era mais fácil conversar antes..."
"É mesmo, apesar de tantos problemas"
"Que problemas" Ele se ofendeu. "Havia problemas?"
"Não, não...! Digo, algumas contradições, você nem deve ter percebido."
"É... talvez. Mas então foi culpa minha?"
"Não sei. Talvez, um mistério. Meio contraditório não é?"
"É... mas eu sei que você gosta de velhas contradições."
artur schütte
quarta-feira, 10 de março de 2010
domingo, 7 de março de 2010
Penso, logo twitto?
(...)
Meu pensamento e minha vontade de escrever é tão fragmentada agora que penso seriamente em criar um twitter, só pra não perder essas partículas que vêm em mim de vez em quando.
Meu pensamento e minha vontade de escrever é tão fragmentada agora que penso seriamente em criar um twitter, só pra não perder essas partículas que vêm em mim de vez em quando.
artur:)
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Estes Meus Cantos
"O que são na verdade estes meus cantos?[...]
Como as espumas, que nascem do mar e do céu, da vaga e do vento, eles são filhos da musa - este sopro do alto; do coração - este pélado da alma. E como as espumas são, às vezes, a flora sombria da tempestade, eles por vezes rebentaram ao estalar fatídico do látego da desgraça[...]"
Como as espumas, que nascem do mar e do céu, da vaga e do vento, eles são filhos da musa - este sopro do alto; do coração - este pélado da alma. E como as espumas são, às vezes, a flora sombria da tempestade, eles por vezes rebentaram ao estalar fatídico do látego da desgraça[...]"
Castro Alves, Espumas Flutuantes
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