quarta-feira, 10 de março de 2010

domingo, 7 de março de 2010

Penso, logo twitto?

(...)
Meu pensamento e minha vontade de escrever é tão fragmentada agora que penso seriamente em criar um twitter, só pra não perder essas partículas que vêm em mim de vez em quando.


artur:)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Estes Meus Cantos

"O que são na verdade estes meus cantos?[...]

Como as espumas, que nascem do mar e do céu, da vaga e do vento, eles são filhos da musa - este sopro do alto; do coração - este pélado da alma. E como as espumas são, às vezes, a flora sombria da tempestade, eles por vezes rebentaram ao estalar fatídico do látego da desgraça[...]"

Castro Alves, Espumas Flutuantes

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O Balão Vermelho


Um modesto parque de diversões assistiu ao espetáculo da vida, sendo ele do jeito que for. O sol brilhava com um leve egocentrismo e os pássaros se deliciavam nas pequenas fontes d’água. Os trilhos da montanha-russa rugiam como deveria ser; os carrinhos bate-bate davam prazer ao mais sádico dos motoristas. As crianças corriam de um lado ao outro, levando junto seus pais e a paciência que lhes restava. Era um calor suportável, até certo ponto; insuportável, até outro. As árvores dançavam com o vento que as acariciavam suavemente. Eu não sabia exatamente o que fazer, então fiquei somente observando aquele espetáculo mundano do nada. Minha falta de maturidade ainda faz-me achar graça na rotina mais tediosa, no parque de diversões mais tedioso. Mesmo que alguns gritos, talvez de prazer, talvez de pânico, tirassem parte de minha atenção, continuei com um sorriso bobo no rosto, vendo aquelas crianças clamando por pipoca e algodão-doce. Mas, estranhamente e de repente, tudo se silenciou e ficou em câmera lenta. A pipoca parou de transbordar da enferrujada panela, o algodão-doce perdeu seu açúcar, os carros bate-bate perderam sua inofensiva agressividade e a montanha-russa se emudeceu. Lindamente devagar, aproximou-se aquela que eu esperava. Ela usava roupas simples que a tornavam ainda mais perfeita; cabelo preso, em decorrência do calor. Usava tênis desbotados, sendo que um estava desamarrado. Detalhes de desleixo, mas que não faziam nem mal e talvez bem. As coisas desarrumadas podem ser um tanto agradáveis. Andava um pouco perdida, à minha procura. Se é que me achar é por um fim à sua perda. De qualquer jeito, mostrou-me o sorriso que eu estava esperando ver, quando me viu. Eu o retribui. Ela trazia um simpático balão vermelho, no qual fez questão de desenhar um sorriso. Não entendi o porquê do sorriso na flutuante bola que teimava em subir aos céus.
– Por que o sorriso no balão? – perguntei, mostrando em meu semblante que achava-a totalmente boba.
– Tentei adivinhar a cara que você faria quando me visse. Desenhei o melhor dos sorrisos – disse ela, como se vencendo a batalha – E acertei.



artur schütte

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Quinta-na!

Não tenho nenhuma boa desculpa para o Quinta-na! ser na sexta.


"Mas o que quer dizer este poema? - perguntou-me alarmada a boa senhora.

E o que quer dizer uma nuvem? - respondi triunfante.

Uma nuvem - disse ela - umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo..."


Até o próximo Quinta-na!, não assegurando que será na quinta.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Ladra de Lábios


Mas que garotinha ladra,
Com um jeito traiçoeiro
Em uma das mãos roubou-me uma foto
E na outra roubou-me um beijo!




artur schütte

domingo, 24 de janeiro de 2010

A Íris Castanha


Fazia tempo que eu não a via que fiquei um tanto desconcertado quando aquele sorriso brilhou nos meus olhos de novo. Ela chegou, quase com uma música de fundo, triunfante. Ela sabia pra onde olhar, ela sabia que havia de olhar pra mim. E como eu gostava de olhar até o fundo da sua alma só pela janela de íris castanha dela. É como se houvesse uma conversa entre olhares e expressões, um discurso mudo. Mas foi aí no meio de um discurso tristemente mudo que joguei as primeiras palavras pro alto.

– Não poderei ter você por muito mais tempo.

Um silêncio engoliu tudo em volta, como em momentos que sua cabeça perde totalmente o foco para só um objeto, e o resto fica borrado; ela pediu, com uma cara de fiel curiosidade e desentendimento.

– Explica.

O problema maior é que eu não sabia ao menos explicar. Não sabia explicar como era possível eu dizer palavras horríveis para um momento bonito. O reencontro foi marcado, afinal, pelo desencontro.
Mas eu devia alguma resposta a ela. Aquele sorriso que desaparecera merecia alguma explicação. Eu tentei, disse que não conseguiria mais, não podia mais. Estava me sufocando, como se eu tivesse chegado a um ponto que me obrigasse a tomar uma decisão, e eu não queria tomar qualquer decisão. É como se o mundo estivesse cobrando alguma ação. Reclamo e jogo a culpa ao mundo, às estrelas, ao destino ou em qualquer responsável por tamanha injustiça. Porque não era pra ter sido assim. Mas não sei se um dia será, enfim. Não conseguia esconder dos meus gestos e palavras quão ideal ela era. Mas ela era perfeita pelo motivo de sermos bons um ao outro; se houvesse qualquer laço forte de dependência, seria o fim. O desastre incorrigível que destrói as coisas boas e espontâneas de viver. Seu corpo era inteiro diversão, sorrisos e vontades. Ela sabia jogar, e nós jogávamos no mesmo time. Mas, voltando ao mundo parado em nossas palavras e olhares, ouvi algo que eu não esperava.


– Eu não quero estragar também, não é pra estragar essa espontaneidade que existe entre a gente. É algo gostoso que eu não sei explicar, que vem dentro de mim e só me causa vontade de ser quem eu sou, sem me esconder, como se eu realmente não precisasse fingir – ela disse isso com o maior sorriso, aquele que eu adorava, como se estivesse pensando “como ele consegue pensar desse jeito?”. Pensávamos iguais, e essa era a nossa dádiva.

Decididas as mais ou menos certas decisões, olhei a última vez nos olhos dela e tentei trasmitir tudo de bom que eu sempre ofereci e disse. Ela era a única excessão. Mas resumi tudo em três simples palavras.

– Você é demais – e ela sorriu.

Ela realmente era.



artur schütte