sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Creeps


Talvez um pouco medrosa demais, um pouco mais preocupada com o mundo à sua volta do que deveria. O perfeccionismo ignorante e indelicado que sacode e balança e explode a realidade que não é tão perfeita assim. Talvez mais bonita do que precisaria, talvez um pouco menos sutil do que seria adequado. Mas é assim: suficientemente ideal pra me dar alguma paz e uma irregularidade invejável de arrepios.

a.s

domingo, 27 de junho de 2010

Brinde

Ficaria honrado se fosse usado.

Brindemos mais uma vez
Ao que nos faz feliz:
Esse copo, que desce redondo
E essa mulher ao lado
Que de redonda não tem nada
Obrigado

a.s

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Um Sambinha


Enfim lhe recebo

Honradamente, poeticamente

Como quem abre os braços inteiramente sinceros

Como mais uma esperança vã

De ser perene

Como um simpático sambinha

Que vem suave, mas escuta-se

De um estranho jeito submisso

Comprometido à sua sina:

Que é feito para sambar

E nada além disso.


a.s

segunda-feira, 14 de junho de 2010

É

Que final romântico: morrer de amor.
a.s

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Finally

Now that you fucked up my entire life and all my best feelings, shall we finally dance?

a.s

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Uma Noite Que Dura Meses

Só agora senti que você não mais me pertencia. O por que não sei dizer, talvez seja porque a solidão só apareça depois de uns meses. Talvez porque eu preenchesse o vazio que você deixou aqui com doses de qualquer whisky barato e copos de cerveja sempre cheios. Parece que copos cheios simbolizam companhia, copos vazios simbolizam a solidão. Mas não sei mais pra onde ir, não sei mais aonde pertenço. A alegria dos bares não me invade como deveria, e a festança de uma noite animada já chegou ao fim. Uma noite longa pra uma vida curta, como já diria Hebert Vianna. Mas já não importa. O por que continua incerto, mas talvez seja porque quero que esse copo desgastado seja substituído pelas velhas lembranças, pela tua atual presença, ou por qualquer motivo, ser ou átomo que me afague e me afaste desse estado de penar.

artur schütte

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Culpa

Eu era o culpado, esse crime era meu.

Então lá veio aquele olhar, o mais amedrontador do mundo, o mais temeroso. Veio rápido como o vento, chegou de surpresa. Era aquela mesma menininha que eu havia cansado de não parar de olhar. Pensando bem, não estava tão cansado assim. Mas aquele ódio não parecia uma coisa boa. Talvez fosse o fim, talvez já fosse hora. Mais uma, talvez? Não conseguia raciocinar direito agora. Com o maior peso do mundo ela disse "Você roubou o amor que havia de sobra aqui dentro." "Problema", pensei. Ela continuou "Você não devia ter feito isso! Agora todo meu amor é seu".

Eu era o culpado, esse crime era meu.

artur schütte